sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Marajó Búfalo Fest 2010


Evento iniciou em 24/11 e vai até 28/11 em Soure - Marajó, com uma programação que envolve feira agropecuária, economia solidária, atividades culturais e científicas, dentre outras.
Lá estamos nós, graças a uma parecria entre o Resistência Marajoara, a produção do evento e a prefeitura Municipal de Soure e lógico, a união incansável pela resistência estética do audiovisual marajoara - Resistência Marajoara - somos um grupo consolidado pelo sentimento colaborativo e pelo aprendizado afetivo que o fazer da arte nos proporciona nestes ultimos 03 anos de existência.
Visite-nos no Marajó Búfalo Fest!
Isabela do Lago.

Búfalo e Resistência




Nossos guerreiros e guerreiras estão lá no Búfalo Fest expondo trabalhos

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Cinema Novo na veia: Resistência Marajoara estréia MARAJÓ, de Sérgio Péo

O coletivo Resistência Marajoara vai promover a estréia do filme MARAJÓ, de Sérgio Péo. Aberta a comunidade, a sessão cineclubista acontecerá no trapiche municipal de Soure, nesta sexta, 19, às 19H.

Velha guarda e vanguarda, à frente e impregnado pelo seu tempo histórico, Péo faz cinema épico. Cinema fotografia. Cinema pintura. Cinema escultura. Cinema poesia. Cinema-síntese. Cada filme um sonho, mágico, que remete o público a uma viagem interior que aprofunda o sentimento humano naquilo que ele tem de essencial.

Realizador paraense radicado no Rio de Janeiro, Péo está muito além do star system: suas obras são caracterizadas pela superação de regras e padrões que amarram e limitam a criatividade humana; e seus filmes são tanto um raio-X da História do Brasil, das greves do ABC paulista a Serra Pelada (de Lula líder operário à presidente da república), quanto um grito em defesa dos direitos humanos e do próprio cinema brasileiro.

Cinema Novo na veia – Em “Marajó – movimento das águas”, Péo traz à luz toda a sua coragem, misturando linguagens e tecnologias. Filmado entre 92 e 94 (em 35 milímetros e em HI8), este filme abre portais para uma nova percepção da cena marajoara, seja pela montagem paralela, com imagens desfocadas e tremidas, seja pela pujança de planos fixos prolongados, travellings ondulados a imitar o marear dos popopôs, e leves passeios de câmera por sobre a econografia que a natureza grafa nas areias das praias de Pesqueiro e Araruna (Soure).

Graças ao apoio da professora Lindalva, a quem o filme é carinhosamente dedicado (post-mortem), “Marajó” é um filme silenciosamente místico, que nos revela um cortejo ancestral da cultura marajoara, paraense, amazônida e brasileira. Centenas de atores fantasiados desfilam durante cerca de 20 minutos diante da câmera numa das cenas mais antropofágicas do cinema brasileiro. “Leit motive” do filme, este (magnífico!) quadro (rodado em 35 milímetros, em 1992) é recortado por cenas captadas em HI8 (em 1994). O resultado disso é uma obra prima, que será por assim dizer devolvida à civilização marajoara, da qual nós paraoaras-amazônidas somos herdeiros com o orgulho de quem assume e afirma a sua ancestralidade.

Estréia – O Coletivo Resistência Marajoara atua no setor audiovisual no Município de Soure (Marajó), conta com cerca de 30 pessoas, a maioria dos quais jovens entre 16 e 25 anos, já realizou cerca de 10 obras audiovisuais. Entre os dias 18 e 21 de novembro deste ano, está programada uma oficina de CURADORIA, sob a coordenação de Isabela do Lago e Francisco Weyl, fundadores do Coletivo.

Serviço – Estréia do filme “Marajó – movimento das águas”, de Sérgio Péo. Dia 19 de novembro de 2010, 19 h. trapiche municipal de Soure. Entrada franca. Apoio: PARACINE – Federação Paraense de Cineclubes.

©

Francisco Weyl

Carpinteiro de Poesia e de Cinema

O coletivo Resistência Marajoara vai promover a estréia do filme MARAJÓ, de Sérgio Péo. Aberta a comunidade, a sessão cineclubista acontecerá no trapiche municipal de Soure, nesta sexta, 19, às 19H.

Velha guarda e vanguarda, à frente e impregnado pelo seu tempo histórico, Péo faz cinema épico. Cinema fotografia. Cinema pintura. Cinema escultura. Cinema poesia. Cinema-síntese. Cada filme um sonho, mágico, que remete o público a uma viagem interior que aprofunda o sentimento humano naquilo que ele tem de essencial.

Realizador paraense radicado no Rio de Janeiro, Péo está muito além do star system: suas obras são caracterizadas pela superação de regras e padrões que amarram e limitam a criatividade humana; e seus filmes são tanto um raio-X da História do Brasil, das greves do ABC paulista a Serra Pelada (de Lula líder operário à presidente da república), quanto um grito em defesa dos direitos humanos e do próprio cinema brasileiro.

Cinema Novo na veia – Em “Marajó – movimento das águas”, Péo traz à luz toda a sua coragem, misturando linguagens e tecnologias. Filmado entre 92 e 94 (em 35 milímetros e em HI8), este filme abre portais para uma nova percepção da cena marajoara, seja pela montagem paralela, com imagens desfocadas e tremidas, seja pela pujança de planos fixos prolongados, travellings ondulados a imitar o marear dos popopôs, e leves passeios de câmera por sobre a econografia que a natureza grafa nas areias das praias de Pesqueiro e Araruna (Soure).

Graças ao apoio da professora Lindalva, a quem o filme é carinhosamente dedicado (post-mortem), “Marajó” é um filme silenciosamente místico, que nos revela um cortejo ancestral da cultura marajoara, paraense, amazônida e brasileira. Centenas de atores fantasiados desfilam durante cerca de 20 minutos diante da câmera numa das cenas mais antropofágicas do cinema brasileiro. “Leit motive” do filme, este (magnífico!) quadro (rodado em 35 milímetros, em 1992) é recortado por cenas captadas em HI8 (em 1994). O resultado disso é uma obra prima, que será por assim dizer devolvida à civilização marajoara, da qual nós paraoaras-amazônidas somos herdeiros com o orgulho de quem assume e afirma a sua ancestralidade.

Estréia – O Coletivo Resistência Marajoara atua no setor audiovisual no Município de Soure (Marajó), conta com cerca de 30 pessoas, a maioria dos quais jovens entre 16 e 25 anos, já realizou cerca de 10 obras audiovisuais. Entre os dias 18 e 21 de novembro deste ano, está programada uma oficina de CURADORIA, sob a coordenação de Isabela do Lago e Francisco Weyl, fundadores do Coletivo.

Serviço – Estréia do filme “Marajó – movimento das águas”, de Sérgio Péo. Dia 19 de novembro de 2010, 19 h. trapiche municipal de Soure. Entrada franca. Apoio: PARACINE – Federação Paraense de Cineclubes.

©

Francisco Weyl

Carpinteiro de Poesia e de Cinema

sexta-feira, 9 de julho de 2010

IDEA 2010


PROGRAMAÇÃO CULTURAL - AÇÃO IDEA 2010 EM MARAJÓ
Projeto Carimbó na Praça, Grupo de Tradições Marajoara Cruzeirinho (Coordenação: Amélia Barbosa)
Encenação "Teatro das Lendas", Grupo de Teatro do Marajó-GRUTEMA (Coordenação: Lúcio Sarmento)
Projeção do filme QUEM CORTOU A LÍNGUA DE FEITICEIRA QUE OS DONOS DO MUNDO TEMIAM?, realizado pelo Coletivo audiovisual Resistência Marajoara como resultado da oficina VIDEOTEATRO DALCIDIANO (Coordenadores: Francisco Weyl - Isabela do Lago – Rosilene Cordeiro)
Feira do Artesanato Marajoara, SOCIEDADE MARAJOARA DAS ARTES (Coordenação: Fátima Pires)
PARCEIROS: Ponto de Cultura Cruzeirinho (Soure/Pa), Grupo de Teatro do Marajó-GRUTEMA, Sociedade Marajoara das Artes-SOMA, Fórum da Juventude Marajoara, Associação Fé em Deus, Grupo de Tradições Marajoara Cruzeirinho, Revista PZZ, INOVAINCE-Fapespa, Projeto Resistência Marajoara, Secretaria de Turismo, Esporte e Cultura do Município de Soure.
COORDENAÇÃO GERAL: AMÉLIA BARBOSA e ANDREA SCAFI


O MARAJÓ - Capítulo 34 (DALCÍDIO JURANDIR)

O MARAJÓ - Capítulo 34 (DALCÍDIO JURANDIR)

“Nhá Leonardina cinge o corpo com a faixa, invoca baixinho o caruana e corre em direção ao lago.
Anda pelo campo, apanha flor de batatarana, ouvi o grito do sapo apanhado pela cobra e o olha fixamente o gado. A pajé sentou à beira do lago, as mãos murchas e trêmulas, a voz tão cansada.
À noite Orminda encontra a Nhá Leonardina no chão, brincando feito criança, cantando baixinho:
Atin-nan-nan
Dinlindandan
A pajé perdia o poder da invocação. Aquelas palavras não tinham mais significação para o caruana com quem a velha Leonardina tivera uma vivência tão longa e tão misteriosa. E em vão Orminda tentava levantá-la e conduzi-la para a barraca.
Aeuals palavras, queixa ou súplica, onde o poder das palavras? Quem cortou a língua de feiticeira que os donos do mundo temiam?
Corria ao longo da praia. Perdeu a voz, perdeu a memória dos encantamentos, o fumo do cachimbo perdeu o dom do mistério. Para onde o fumo que enche as almas, acompanha os destino, embalsamo os feitiços, ronda em torno das sessões da meia-noite, puxa dos poços e dos lagos as vozes da vidência? Onde estás, Cavalo Marinho? Onde perdi meu corpo bonito, mais bonito que o de Orminda? Por que dei meu corpo para a pororoca, por que perdi, bichos do fundo, a minha força de enfeitiçar e de fechar os corpos contra o alheio enfeitiçamento?
Só era a simples lembrança da toada:
Mureruereua
Atin-nan-nan
Os pescadores estendiam as largas redes de lanceação em pleno lago. Dentro d’água cercavam os peixes como vaqueiros na malhada. Seus gritos significavam que a safra da lanceação era compensadora. A noite clara parecia inimiga dos peixes e do lago.
Os caruanas não voltavam. Nhá Leonardina olhava o céu, as águas e tremia. As redes avançaram sobre o cardume dos peixes. O vento aumentou, Os campos caminhavam sem fim com a marcha das estrelas.
Com a ponta da faixa arrastando no chão, as mãos apalpando a sombra, a feiticeira corria, os cabelos espalhando-se na noite, como o vento e as vozes dos pescadores.
O lago a endoidecia. Orminda pedia socorro. Na boca do lago, junto a um bote encalhado na lama, três pescadores bebiam, silenciosamente. Não escutavam os pescadores do lago, os bacuraus, nem o grito de socorro de Orminda.
Nhá Leonardina estacou. Caiu na terra, principiou a brincar com imaginária sbruxas, canou um acalanto. Desaparece o Cavalo Marinho, o cachimbo, o reino da feitiçaria. Em seus olhos, em sua voz, em seus gestos o ar da infância que voltava. Suas lagrimas caíam lentas pela faixa e pelas coxas sujas de terra. Esse acalanto Orminda desconhecia. Vinha da infância cheia de verme, solitária, vivida num jirau sobre a lama onde as cobras deslizavam.”


© DALCÍDIO JURANDIR
O MARAJÓ - Capítulo 34

segunda-feira, 5 de julho de 2010

FICHA TÉCNICA E ARTÍSTICA

Coletivo Resistência Marajoara
ALANA PRISCILA FREITAS
ALESSANDRA FIGUEIREDO
ANDREA SCAFI MORAES
ANGÉLICA FIGUEIREDO
CRISTANA MERCO
CRIS PENANTE
DORALICE CAVALCANTE
HERCÍLIO JACOB
JOSÉ CARLOS SARMENTO
JUCILÂNDIA GUEDES
LARISSA SUZANE
MURIEL BRASIL
PAULO ALEX S. MORAES
RODINEY DA SILVA PINHEIRO
JOANA RITA
GIOVANA

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Leonardina
JOANA RITA
Leonardina menina
GIOVANA
Orminda
ALESSANDRA FIGUEIREDO
Pescadores
HERCÍLIO JACOB/ MURIEL BRASIL
Caruanas
ALANA PRISCILA FREITAS
ANDREA SCAFI MORAES
ANGÉLICA FIGUEIREDO
LARISSA SUZANE
JOSÉ CARLOS SARMENTO
PAULO ALEX S. MORAES
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Operadores de câmera
RODINEY DA SILVA PINHEIRO
FRANCISCO WEYL
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Realizadores de cenas:
1) A Loucura de Leonardina
COLETIVO RESISTÊNCIA MARAJOARA
2) Caruanas
CRIS PENANTE
3) Pescadores
JOSÉ CARLOS SARMENTO
4) Cabana
ANDREA SCAFI MORAES
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Montagem:
FRANCISCO WEYL
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Filmagem da cena
ALANA PRISCILA FREITAS
ANDREA SCAFI MORAES
CRIS PENANTE
HERCÍLIO JACOB
JUCILÂNDIA GUEDES
MURIEL BRASIL
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Fotografia de cena
ALANA PRISCILA FREITAS
ALESSANDRA FIGUEIREDO
ANDREA SCAFI MORAES
ANGÉLICA FIGUEIREDO
CRISTANA MERCO
CRIS PENANTE
JUCILÂNDIA GUEDES
PAULO ALEX S. MORAES
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Produção
COLETIVO RESISTÊNCIA MARAJOARA
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Experiência realizada no âmbito da oficina de Videoteatro “Dalcidiano”, sob a coordenação de
FRANCISCO WEYL
ISABELA DO LAGO
ROSILENE CORDEIRO
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Agradecimentos:
Senhor Brito / Fazenda São Jerônimo
Departamento de Cultura / Prefeitura de Soure
E à comunidade da Vila do Pesqueiro
Leituras, diálogos, laboratórios – para transcrever um texto em prosa (romance) para o teatro e deste para o audiovisual (em três dias). Isso não é tarefa simples, mas, a ela nos propomos, num coletivo com cerca de 20 jovens, náufragos, mergulhados nos signos destas linguagens e nos fortes símbolos sugeridos pelos riquíssimos elementos sinestésicos que compõem esta passagem “dalcidiana” (“O Marajó” – capítulo 34).
O filme se chamará QUEM CORTOU A LÍNGUA DE FEITICERIA QUE OS DONOS DO MUNDO TEMIAM?

VIDEOTEATRO DALCIDIANO





Tomamos o navio rumo a Soure na manhãzinha do dia 1 de julho de 2010. Com os ventos e a maré ao nosso favor, chegamos no município por volta das 10 horas da manhã.

VIDEOTEATRO DALCIDIANO





Às 14 horas já estávamos no Cruzeirinho, a ler o capítulo 34, do “Marajó”, de Dalcídio Jurandir.
No final dos trabalhamos , falamos sobre a produção do mesmo.

VIDEOTEATRO DALCIDIANO





Dia seguinte, sexta, dia 2, pela manhã, locação, na Fazenda São Jerônimo, uma prosa muito boa (memorialista) com o Senhor Brito, que nos autorizou a filmarmos em sua propriedade.

VIDEOTEATRO DALCIDIANO