segunda-feira, 5 de julho de 2010

VIDEOTEATRO DALCIDIANO

Pedi aos “resistentes” que escrevessem alguma coisa a respeito do que ficou neles ou do que deles ficou neste processo que resultou no vídeo-teatro-dança que realizamos coletivamente a partir do capítulo 34 da obra MARAJÓ (Dalcídio Jurandir), mas no fundo eu sei que eu pedi a eles o que não me pediria, porque (d)escrever (sobre) é como que trair o sentir.

VIDEOTEATRO DALCIDIANO





O RESISTENCIA MARAJOARA é um projeto coordenado pelos artistas Francisco Weyl e Isabela do Lago. Foi vencedor do Prêmio Interações Estéticas – Residências Artísticas em pontos de Cultura (Minc/Funarte – 2009). Com a anuência do Ponto de Cultura Reconquistando Ate, Cultura e Cidadania (Soure), àquela altura e ainda agora desarticulado – por motivos que não vem ao caso esclarecer, até porque nem são do meu domínio – e com a generosa colaboração da Casa de Cultura O Cruzeirinho (hoje Ponto de Cultura).

VIDEOTEATRO DALCIDIANO





Um videoteatro brota de dentro duma bolha de gente: temos pessoas líquidas!







Isto é um convite: Vumbora a-voar com o pássaro-máquina Resistência Marajoara.

É com os olhos ainda umedecidos que escrevo para dar a notícia do retorno de Soure, se é que que de fato eu voltei.
A ação de realização do videoteatro "dalcidiano" terminou com o fim da manhã de ontem, retornei a Belém, mas minha alma ficou sabe-se lá por onde, esqueci de trazê-la comigo.
Deve ter ficado caminhando com os campos, como disse Dalcídio " sem fim com a marcha das estrelas".
Há 3 anos, li isto pela primeira vez, há 3 anos procuro fazer algo disto, não podia segurar isto dentro de mim, o tempo me trouxe pessoas e situações
que fluíram com as águas, e agora que que aconteceu quero ficar quieta,mas também quero compartilhar, quero pensar que foi questão de merecendência, como dizem os velhos marajoaras.
Isto, que inicialmente apelidamos de "videoteatro dalcidiano", e agora é um pássaro que vai a-voar livre, nasceu de dentro duma
bolha de gente. A bolha que fluiu toda ancestralidade, coordialidade, alegrias e tristezas, conduzidas pelas mãos firmes de Rosilene Cordeiro e de um tal
de Carpinteiro louco, ela com Stanislavski, ele atuado com os bichos do fundo e a encantaria do cinema pobre pro Marajó.
E eu no meio disso... reafirmo: Só pode ser questão de merecendência!
Como eu imaginei sempre, o capítulo 34 do romance Marajó é profundo, obscuro, intenso e de uma rigidez sensivelmente indescritível, não fosse pela entrega e generosidade de toda a equipe, eu iria passar o resto de minha vida imaginando milhões
de outras coisas que não aquilo que presenciei.
A carga dramática do teor das palavras de Dalcídio Jurandir, foi aprofundada pela vivência que tivemos nestes últimos quatro dias
vividos um-a-um, num jogo de mãos, olhares, gestos, contrastes, cheiros, sonoridades e campos, e lagos, e praia, e caruanas e juventude.
Flores de juventudes. Juventude - batatarana.
Eu tentei agradecer, não consegui. Eu tentei fugir, desisti.
Agora só me resta a lembrança da toada ao fundo
"Mureruereua
Atin-nan-nan"
Isabela do Lago.

terça-feira, 20 de abril de 2010

INOVACINE lota sessão em Soure

A sessão de cinema realizada neste domingo (18 de abril) pelo projeto INOVACINE levou centenas de pessoas ao trapiche de Soure. A projeção encerrou as atividades de mais uma oficina de formação cineclubista realizada pelo projeto. A oficina teve a participação de jovens de escolas, comunidades, grupos de teatro e de projetos como Pro-Jovem e Cavalgar, além de estudantes que participam do programa PIBIC-Júnior, da Fapespa, sob a tutoria da professora-doutora Bete Vidal.

Com o apoio do Ponto de Cultura Cruzeirinho, do Centro de Referência e Assistência Social e da Secretaria de Turismo do Município, a oficina projetou e realizou debates sobre os filmes “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de Glauber Rocha (dia 16) e “O Atalante”, de Jean Vigo (dia 17). Na programação de domingo, estavam os filmes realizados de forma coletiva por jovens através do projeto “Resistência Marajoara”, premiado pela Fundação Nacional de Arte: “A lenda da cobra grande”, “A Festa da cobra”, além de documentários com ativistas e mestres da cultura local, como Regatão, Paulo Alex, Dirlene Silva e Ronaldo Guedes.








De acordo com Cris Penante, uma das realizadoras do Coletivo Resistência Marajoara, e também participante da oficina, o leque de conhecimentos que ela adquiriu serão repassados à comunidade. Ela diz que a “o acontecimento foi bastante importante”. O estudante Miguel Brasil Silva, que também participou da oficina, afirma que o material trabalhado na oficina vai servir como base para um futuro cineclube sourense: “a forma bastante esclarecedora que nos foram repassados os conceitos nos faz vir a refletir sobre os autores e as obras, ou seja, um olhar crítico e social”

FELLINI NO TAPAJÓS - O midiativista Jáder Gama, que coordena a ONG Puraquê, em Santarém, informou ontem que a semente plantada pelo INOVACINE já está a dar frutos no município. Gama disse que na noite de ontem foi oficialmente inaugurado o CINECLUBE PURAQUÊ, com a projeção do filme “Oito e meio”, de Frederico Felini. De acordo com Mateus Moura, da Associação Paraense de Jovens Críticos de Cinema, entidade parceira da Fapespa no INOVACINE, “esta foi a melhor notícia dos últimos tempos”.















BRAGANÇA – a próxima parada do projeto será no Município de Bragança, entre os dias 24 de abril e 1 de maio. O INOVACINE tem promovido, desde setembro do ano passado, sessões cineclubistas e oficinas nos pontos de cultura e infocentros do NavegaPará, em Belém e no interior do Estado. Os diálogos são gravados e uma brochura com o teor dos mesmos será lançada em seminário que vai discutir cinema paraense, previsto para acontecer no segundo semestre deste ano.

©
FONTE: Ascom/Fapespa
(http://www.fapespa.pa.gov.br/?q=node/1369)












OFICINA DE CINECLUBISMO EM SOURE
















... porque assim é a sina marajoara

... nestes dias em que recordamos o velho Gallo e a sua saga utópica que foi a de edificar um Museu VIVO em Cachoeira do Arari, recolhendo a HISTÓRIA que brota dos (e nos) campos marajoaras, uma história que se insurge pela via da luta destas mulheres e homens que trazem em si toda a ancestralidade amazônida, história que não se deixa sufocar por sob a terra, história revolvida pelas águas dos temporais e tempestades que insistem em castigar e florir estes campos, história de amor, de morte, de vida, de ódio, história de arte, mas não uma arte acadêmica, presa a conceitos, fechada e ensimesmada, pois que é a história da arte da sabedoria popular, que passa e que fica impregnada pelas gerações que se vão desbrochando, uma história que só a vive o ser humano que tem, consciência do seu sentimento trágico, épico, porque assim é a saga marajoara...

CARPINTEIRO

quarta-feira, 14 de abril de 2010

De volta a Soure com muito orgulho

Através do INOVACINE - FAPESPA que vai a Soure esta semana fazer oficina de cineclubismo, acontecerá a estréia dos
filmes realizados pelo Resistência Marajoara em 2009 com a comunidade local durante residência artística no ponto de cultura Reconquistando Arte, Cultura e Cidadania.
Quando iniciamos o projeto por lá, a fala comum era de que, pessoas de fora do Marajó se instalam na ilha, pesquisam, realizam seus trabalhos e levam sem deixar absolutamente nada para a comunidade, que sem retorno se sente usurpada.
O retorno destes filmes para a comunidade de Soure neste momento, é para mim uma grande satisfação, é sinal de que precisamos reconhecer o alto valor da cultura marajoara neste processo de afirmação da identidade amazônida, mas isto não fica por aí, precisamos ainda garantir que estas pessoas tenham acesso aos bens culturais produzidos por elas e por outras pessoas de onde quer que seja, e o audiovisual tem muito mais a contribuir com isto, é hora de plantarmos as sementes de um pensamento mais fraterno, mais igualitário em hora de reconhecermos nossas diferenças numa busca de democratizar a arte, condição mínima para o real desenvolvimento que tanto precisamos. .
Nós artistas, poetas, educadores, produtores, pesquisadores, articuladores sociais, e quem mais vier a somar será sempre bem-vindo, convido a todos a participar desta corrente, convido a todos a entrar nesta corrente cineclubista!
Bela do Lago.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

tambores digitais?

FUI AO TEIA – TAMBORES DIGITAIS E ME SENTI MUITO BEM NO MEIO DE TODA AQUELA CONFUSÃO.
Participei da mostra artística (de 25/03 a 29/03 em Fortaleza -CE) levando dois filmes do projeto Resistência Marajoara, o documental “FESTA DA COBRA” e o Vídeo-teatro “Sucuriju: o Suspiro da princesa encantada”, ambos realizados em Soure no ano de 2009.
A projeção foi excelente, apesar de o pessoas por lá se atrapalhar com datas, títulos e públicos, ou seja, com tudo! Por este motivo, misturaram com a sessão de filmes infantis, e lá estavam as crianças dos pontinhos assistindo a um vídeo institucional do programa CULTURA VIVA de quaze 1 hora de duração (que esvaziou a sala), depois muitos documentários adultíssimos sobre os mais variados e absurdos temas, até que finalmente, chegou minha vez (digo... nossa vez já que ali eu representava uma coletividade): Resolvi interferir para acordar os sobreviventes da mostra, que somavam um total de 6 crianças e 8 adultos, escolhi uma foto bem bonita de Soure, inverti o foco do projetor e fiz um teatro de sombra, em diálogo eu e uma máscara contamos a estória da Sucuriju, tal e qual ouvi mestre Hilário contar.
A isto, teatro de sombra, uma senhora da platéia categorizou como “quaze cinema” adorei o termo, as pessoas ficaram muito curiosas a respeito da mítica das cobras e depois de projetar o video-teatro, também rolou “a festa da cobra”, a galera gostou bastante, no saldo disso tudo fiz 08 cópias destes filmes para as pessoas que me pediram.
Isabela do Lago.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O Processo

Tentarei utilizar poucas palavras para sintetizar este momento (agora!). E sei que poderia dizê-lo de forma objetiva: publiquei o relatório final e a prestação de contas do RESISTÊENCIA MARAJOARA no blog oficial do projeto (www.resistenciamarajoara.blogspot.com), mas, peço desculpas, vou fazê-lo de outra forma, poética.
(...)
Tentarei utilizar poucas palavras para sintetizar este momento (agora!). E sei que poderia dizê-lo de forma objetiva: publiquei o relatório final e a prestação de contas do RESISTÊENCIA MARAJOARA no blog oficial do projeto (www.resistenciamarajoara.blogspot.com), mas, peço desculpas, vou fazê-lo de outra forma, poética.
(...)
Ao menos para aqueles que tem demonstrado interesse e também aos curiosos e mesmo a estes todos que nos tem acompanhado de forma crítica – porque assim tem de ser, portanto, a estes todos que nos desafiam, de certeza, para que sejamos capazes de construir este processo-resultado de um trajeto artístico visceral, porque verdadeiro, porque empenhado, porque sem economia de esforços, porque corajoso, porque solidário, porque criador e criativo, a estes anunciamos o fechamento(institucional) de um ciclo que vem sendo instaurado desde quando o sonho é sonho e a arte, arte, mas que - de nossa parte - se consolidou na seleção do RESISTÊNCIA MARAJOARA pelo prêmio interações artísticas – residências estéticas em pontos de cultura, da Funarte (2008/2009) – e que se transformou em todo o percurso de alguns artistas que se lançaram para partilhar a produção de seus conteúdos de uma forma despojada, sem as tais verdades pre-concebidas, na comunidade da Ilha de Soure (Marajó).
(...)
Artistas aprendizes dos meninos e das meninas que aderiram com um fôlego mais que vital a este sonho – também de todos eles, artistas seres humanos de carne e osso e como tais passíveis a idealismos e confrontos com a dinâmica e a complexidade da realidade, artistas em estado de permanente choque consigo próprios e com as sociedades que lhes circundam e das quais fazem parte, artistas pragmáticos, além do bem e do mal, dispostos a experienciar o que não sabem, dispostos a construir as coisas a partir delas mesmas, artistas, humanos, demasiado-humanos, com o coração aberto para a construção dos processos de cidadania e de fortalecimento e radicalização das democracias, artistas em poesia, de olhos abertos para as imagens que se foram revelando a partir dos encontros com jovens em diversas oficinas nas quais tudo era permitido em nome da arte.
Em nome da arte, “encerramos” um ciclo institucional, com o envio do relatório que segue abaixo (à Funarte).
Em nome da ética, também encerro um outro ciclo, com a publicação da prestação de contas dos recursos recebidos para o desenvolvimento deste Projeto.
Os sonhos, continuamos a sonhá-los.

Francisco Weyl
1 de dezembro de 2009
-- © Francisco Weyl
Carpinteiro de poesia e de cinema
00 55 91 - 8114 8146 / 4009 2514
www.resistenciamarajoara.blogspot.com
www.cinemaderua.blogspot.com

RELATÓRIO FINAL

PRÊMIO INTERAÇÕES ESTÉTICAS
RESIDÊNCIAS ARTISTICAS EM PONTOS DE CULTURA

RELATÓRIO FINAL

DADOS DO PROJETO

PROPONENTE: FRANCISCO WEYL
NOME DO PROJETO: RESISTÊNCIA MARAJOARA
CATEGORIA: 1 C / Região:NORTE
PONTO DE CULTURA: RECONQUISTANDO ARTE, CULTURA E CIDADANIA.
MUNICÍPIO/UF: (do Ponto de Cultura): SOURE – MARAJÓ – PARÁ.

I) Introdução:
O projeto Resistência Marajoara (www.resistenciamarajoara.blogspot.com) foi previsto para ser realizado na cidade de Soure, Ilha de Marajó enquanto residência artística no Ponto de Cultura Reconquistando Arte, Cultura e Cidadania, entre os meses de Março e Setembro de 2009, entretanto, o conjunto de articulações e de redes organizadas no âmbito deste empreendimento, contribuiu para que novos laços fossem estreitados de tal forma que o Projeto, mesmo oficialmente finalizado, este Projeto continua firme e forte, conforme era o seu objetivo, ou seja, através das experiências cineclubistas desencadeadas a partir dos processos de construção coletiva de filmes com a comunidade, com a qual os seus coordenadores continuam a manter relações solidárias.
Portanto, este Relatório – apesar de ser intitulado RELATÓRIO FINAL – ele apenas faz referência a um conjunto de ações propostas à FUNARTE em outubro de 2008, deixando bem abertas portas e janelas para que ações como esta sejam replicadas tanto em Soure, quanto nos demais municípios marajoaras.


II) Descrição e avaliação do projeto, incluindo o perfil do público participante:
O público participante do Projeto RESISTÊNCIA MARAJOARA foi primordialmente de jovens provenientes da rede pública de ensino, com idades entre 14 e 20 anos.
A maioria destes jovens pertence à população de baixa renda do município de Soure, moram em bairros afastados do centro da cidade, como Pacoval, Cajuúna e Pesqueiro, donde as pessoas se deslocam a partir de uma hora de caminhada ou bicicleta, donde não há telefone ou internet, a comunicação existe porque alguém mandou recado ou ouviu chamada na rádio local.
DESTAQUE-SE à partida que alguns destes jovens - a partir das experiências culturais e audiovisuais que eles acumularam ao longo do Projeto RESISTÊNCIA MARAJOARA – foram submetidos a testes e acabaram por ser selecionados ao Programa de Iniciação Científica Júnior, patrocinado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Pará, Fapespa - e hoje recebem R$ 100 reais para participar em projetos de pesquisa, portanto, este Projeto colaborou para a geração de renda para uma população carente e excluída dos mínimos direitos constitucionais, como o acesso à educação e à saúde básica.


II) Descrição e avaliação do(s) produto(s) final(is):

Este Projeto proporcionou a comunidade local atividades com o intuito de preencher uma lacuna prática no campo audiovisual, através da realização de um conjunto de oficinas transdisciplinares de diferentes linguagens artísticas numa perspectiva sócio-educativa, que convergiram para a construção de filmes documentais, necessariamente, reforçando o audiovisual como instrumento de desenvolvimento da consciência e da cidadania humana.


II.I) Atividades desenviolvidas:

Estão abaixo descritas resumidamente as atividades desenvolvidas entre as cidades de Belém e Soure no decorrer da execução do projeto em ordem cronológica:

a) - Sensibilização interna do grupo de trabalho: Janeiro e Fevereiro de 2009, estas atividades foram desenvolvidas para partilhar estudos, organizar cronogramas de atividades e estratégias metodológicas entre os artistas responsáveis por cada oficina;
b) - Divulgação e inscrições para as oficinas em Soure: Fevereiro e Março de 2009;
c) - Desenvolvimento das oficinas: Abril, Maio, Junho, Agosto, Setembro e Outubro de 2009;
d) - Rearticulação entre os participantes do projeto: Convocação da comunidade para as atividades finais do projeto: Agosto 2009.
DESTAQUE-SE que no mês de julho, em função da grande confluência de pessoas ao Município de Soure, o Projeto sofreu uma ligeira paralização, tendo sido, entretanto, avaliado pelos seus participantes, com os dados resultantes deste procedimento avaliativo sido encaminhados à FUNARTE no seu original, e cujos indicadores foram quase que unânimes quanto à aceitação do RESISTÊNCIA MARAJOARA tanto pelos alunos quanto pela comundiade de uma forma geral.


II.II) Oficinas desenvolvidas:


1. - Audiovisual: Realizada por Francisco Weyl entre os meses de Abril, Maio, Junho e Agosto de 2009, com cerca de em cerca de 160 horas de atividades;
2. - Sensibilização sonora e construção de instrumentos Artesanais: Realizada por Rômulo Queiroz e André Leite no mês de Junho com 40 horas de atividades;
3. - Oficina de Graffiti: - Realizada por Rômulo Queiroz, no mês de Junho com 20 horas de atividades, em parceria com a Escola da Rede Pública Estadual de Ensino Edda Gonçalves;
4. - Teatro de Máscaras: Realizada por Isabela do Lago, entre os meses de Junho e Julho de 2009 com cerca de 40 horas de atividades;
5. - Oficina de Escrita Lúdica: Realizada por Francisco Weyl, em parceria com a Biblioteca Municipal de Soure, durante as comemorações do Dia do Livro;
6. Oficina de Produção de Mídias para a Internet: Realizada por Francisco Weyl e Isabela do Lago, em parceria com a Escola da Rede Pública Estadual de Ensino Edda Gonçalves, em setembro de 2009;
7. Oficina de Cineclubismo: Realizada por Francisco Weyl e Isabela do Lago, em parceria com as organizações não-governamentais “Grupo e Tradições Marajoara o Cruzeirinho”, “Associação de Moradores do Pacoval”, e Ponto de Cultura Reconquistando a Arte, a Cultura e a Cidadania em Soure (Marajó), em outubro de 2009.
Esta foi a atividade de confluência do projeto, o cineclube percorreu vários pontos da cidade de Soure projetando os filmes construídos no âmbito das oficinas anteriormente realizadas. Foram articulados os cineclubes do Ponto de Cultura, na Casa de Cultura O cruzeirinho, e na Associação de Moradores do Pacoval:

· CINECLUBE CIDADANIA MARAJOARA
LOCAL: Ponto de Cultura Reconquistando a Arte e a Cidadania de Soure
DIA: 10 de Setembro de 2009
HORÁRIO: 20 Horas

· CINECLUBE CRUZEIRINHO
LOCAL: Casa de Cultura Cruzeirinho
DIA: 11 de Setembro de 2009
HORA: 18 Horas

· CINECLUBE PACOVAL
LOCAL: Associação de Moradores do Pacoval
DIA: 12 de Setembro de 2009
HORA: 19 Horas


II.III) Filmes realizados:

· A FESTA DA COBRA
Documentário realizado pelos alunos do Projeto “RESISTÊNCIA MARAJOARA” sobre a tradicional Festa da Cobra, sob a direção de Francisco Weyl.

· A LENDA DA COBRA GRANDE
Filme realizado pelos alunos do Projeto “RESISTÊNCIA MARAJOARA” a partir da oficina de máscaras sobre o mito da cobra grande, sob a direção de Isabela do Lago.

· ENTREVISTA RÁDIO GUARANY DE SOURE

Documentário realizado pelos alunos do Projeto “RESISTÊNCIA MARAJOARA” durante entrevista de Francisco Weyl à Rádio Guarany de Soure.

· ENTREVISTA RÁDIO LIBERAL DE SOURE
Documentário realizado pelos alunos do Projeto “RESISTÊNCIA MARAJOARA” durante entrevista de Francisco Weyl à Rádio Liberal de Soure.

· MESTRE REGATÃO NA PRAIA DO PESQUEIRO
Documentário realizado pelos alunos do Projeto “RESISTÊNCIA MARAJOARA” durante gravação de clipe e entrevistas com o mestre de cultura popular conhecido por REGATÃO, na Ilha do Pesqueiro, em Soure.

· MESTRE REGATÃO NA RODA DE CARIMBÓ
Documentário realizado pelos alunos do Projeto “RESISTÊNCIA MARAJOARA” durante as rodas de carimbo do grupo Tambores dom Pacoval.

· OFICINA DE MÚSICA PARA CRIANÇAS
Documentário realizado pelos alunos do Projeto “RESISTÊNCIA MARAJOARA” durante aulas da Oficina de Música para crianças..

· TAMBORES DO PACOVAL NA INAUGURAÇÃO DA TV CULTURA EM SOURE
Documentário realizado pelos alunos do Projeto “RESISTÊNCIA MARAJOARA” durante a inauguração da torre de transmissão da TVCultura em Soure.

· TRILOGIA MARAJOARA - PAULO ALEX / DIRLENE SILVA / RONALDO GUEDES
Documentário realizado pelos alunos do Projeto “RESISTÊNCIA MARAJOARA” com o artista plástico Ronaldo Guedes, a professora Dirlene Silva e o dinamizar cultural Paulo Alex, que desenvolvem atividades nas comunidades de Soure e Salvaterra, Ilha do Marajó.

DESTAQUE-SE - conforme a farta documentação fotográfica e videográfica enviada à FUNARTE (assim como os textos postados no blog www.resistenciamarajoara.blogspot.com), estes filmes de curta-metragens foram produzidos e realizados de forma COLETIVA pelos alunos participantes do RESISTÊNCIA MARAJOARA.
Tratam-se de experiências de caráter documental, nas quais os alunos, enquanto coletivo, discutiam processos e procedimentos de captura de cada uma das imagens que iriam compor o produto final da obra.
Todo o processo era feito de forma coletiva.
Sem dúvida, uma rica experiência para todos na qual todos ensinavam e todos aprendiam de acordo com seus limites e competências.

DESTAQUE-SE ainda que este conjunto de obras videográficas e mesmo as fotográficas (também obtidas pelos alunos do projeto) agora estão sendo alvo de uma revisão por parte da coordenação do Projeto (Francisco Weyl e Isabela do Lago), mediante uma parceria com a TV CULTURA DO PARÁ que tem como meta re-editar os filmes, assim como exibi-los na programação da emissora.
DESTAQUE-SE também que foram captadas cerca de 100 gigabites de imagens entre os meses de janeiro (a partir de quando os coordenadores do RESISTÊNCIA MARAJOARA começaram a se deslocar ao Marajó e a fazer contatos com pessoas da comunidade, entidades, instituições, empresas e organizações não-governamentais) e outubro de 2009, quando aconteceram as atividades de “encerramento” (encerramento entre aspas porque o Projeto continua com as práticas cineclubistas). Estas imagens tanto são reveladoras de um conjunto de ações paralelas do Projeto junto a comunidade, quanto são tradutoras de encontros espontâneos com grupos tradicionais como os boi-bumbás, músicos de carimbo, casas de pajelança e de macumba, e que, portanto, estão na matriz de novos processos que foram se instalando no bojo das complexidades e dinâmicas relativas a experiências estéticas como esta proporcionada pela FUNARTE mediante este Prêmio.


III) Descrição e avaliação em relação à interação e integração do projeto com a dinâmica de ações do ponto de Cultura:

Avaliar este projeto de maneira geral pode provocar, em certa instância, uma visão equivocada de fatos, não só em virtude da complexidade dos acontecimentos vivenciados entre Belém e Soure, mas também do ponto de vista da rica vivência estética que partilhamos durante nove meses de trabalho.
Viver a prática artística sob a perspectiva audiovisual numa comunidade carente como a de Soure, foi ir à busca da educação dos sentidos, das sensações, de novas experiências e de tudo que vislumbra um todo perceptivo, para o grupo que coordenava o trabalho e demais pessoas que se envolveram de alguma forma no projeto, desde os alunos, as pessoas entrevistadas pelos alunos, seus familiares, artistas locais, o dono do restaurante onde comíamos, gestores municipais, e etc.
Em muitos momentos foi necessário despir-se de preconceitos e estereótipos com relação ao povo marajoara reprocessando, re-conhecendo o Marajó numa visão menos romântica e ainda mais poética a partir do momento que passamos conhecer bem mais de perto toda a dificuldade de acessar as mentes das pessoas, de estabelecer relações de confiança a partir do trabalho, da baixa comunicabilidade local e das inseguranças todas que isto tudo pode gerar.
Por outro lado, precisamos compreender de que maneira avaliar a nós mesmos e aos outros sem executar questionamentos duros e conceitos idiossincráticos porque não estamos no âmbito da educação quadrática de uma pedagogia escolar, não estamos nem com a arrogante tarefa de educar a ninguém, e sim de trocar conhecimentos, afinal trabalhamos neste projeto com o intuito de construir de um filme coletivo no Marajó, e para tanto é preciso reconhecer-se em meio à diversidade de posturas, atitudes e pensamentos, e isto não só é uma forma de aceitar, mas também de questionar valores e atitudes de cidadãos marajoaras, tentando perceber sua história e a partir do despertar de uma consciência ou do despertar da ausência da mesma, provocar e ser provocados na agonia, febre e delícia da fruição artística.
A construção do filme coletivo no Marajó se deu, na realidade, com as construções de muitos filmes, em trama luminosa de pensamento em formato audiovisual donde se percebe uma rede trabalhada a partir duma fina tessitura de muitas mãos, compostas de sentimento colaborativo e desejo criativo.
O conjunto da obra do projeto Resistência Marajoara traz filmes em diversos gêneros e formatos, mas com unidade semântica, todo o material pensado e elaborado pelos participantes das oficinas falam da cultura marajoara, do sentimento de pertencimento dos jovens de Soure em relação a terra mãe Marinatambalo.


V) Repercussão nos meios de comunicação:
O Projeto RESISTÊNCIA MARAJOARA teve repercussão em vários meios de comunicação, entre impressos e eletrônicos, como nos jornais O LIBERAL e DIÁRIO DO PARÁ, que têm grande circulação em Belém; contando – registre-se isto neste relatório – com grande apoio da RÁDIO GUARANY e mesmo da Rádio Liberal, ambas do município de Soure; além de portais como o da CULTURA e outros sites locais e nacionais, conforme a lista abaixo:

Sites:
VERMELHO - http://www.vermelho.org.br/prosapoesia/noticia.php?id_noticia=115418&id_secao=133
HOLOFOTE VIRTUAL
http://holofotevirtual.blogspot.com/2009/09/resistencia-marajoara-inaugura.html
REDENORTE
http://redecinenorte.ning.com/video/resistencia-marajoara
MUSEU DO MARAJÓ
http://www.museudomarajo.com.br/museudomarajo/site/viewNoticia.php?id=32
O LIBERAL
http://www.orm.com.br/oliberal/interna/default.asp?modulo=248&codigo=419016
REPÓRTER AMAZÔNIA
http://64.233.163.132/search?q=cache:hkpAlP8xGWoJ:chicoterra.com/joomla/index.php%3Foption%3Dcom_content%26task%3Dview%26id%3D6382%26Itemid%3D96+RESIST%C3%8ANCIA+MARAJOARA&cd=19&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br
CMI-PAN-AMAZôNIA
http://64.233.163.132/search?q=cache:QjgIL4v4hREJ:lists.indymedia.org/pipermail/cmi-pan-amazonico/2009-June/0608-ic.html+RESIST%C3%8ANCIA+MARAJOARA&cd=22&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br
PORTAL CULTURA
http://64.233.163.132/search?q=cache:z7brbV97l1MJ:www.portalcultura.com.br/index.php%3Fidcq%3D10746+RESIST%C3%8ANCIA+MARAJOARA&cd=47&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br
AOL VÍDEO
http://64.233.163.132/search?q=cache:CNRrM5nfOIQJ:video.aol.co.uk/video-detail/resistncia-marajoara/2701298030+RESIST%C3%8ANCIA+MARAJOARA&cd=54&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br
OBSERVATÓRIO CINECLUBISTA
http://64.233.163.132/search?q=cache:44TQMPyHs_cJ:www.culturadigital.br/cineclubes/members/%3Fpaged%3D4+RESIST%C3%8ANCIA+MARAJOARA&cd=61&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br

DESTAQUE-SE ainda a parceria com a TV CULTURA DO PARÁ que tem como meta re-editar os filmes, assim como exibi-los na programação da emissora, do mesmo modo a participação da equipe coletiva do RESISTÊNCIA MARAJOARA em documentário produzido pela TV BRASIL.


V) Documentos anexos:

· DVD com os filmes A FESTA DA COBRA; A LENDA DA COBRA GRANDE; ENTREVISTA RÁDIO GUARANY DE SOURE; ENTREVISTA RÁDIO LIBERAL DE SOURE; MESTRE REGATÃO NA PRAIA DO PESQUEIRO; MESTRE REGATÃO NA RODA DE CARIMBÓ; OFICINA DE MÚSICA PARA CRIANÇAS; TAMBORES DO PACOVAL NA INAUGURAÇÃO DA TV CULTURA EM SOURE; TRILOGIA MARAJOARA - PAULO ALEX / DIRLENE SILVA / RONALDO GUEDES.
· DVD com fotografias, em meio digital, registrando as atividades do projeto + a respectiva autorização do (s) autor (es) para veiculação no site e publicações da FUNARTE e da Secretaria de Programas e Projetos Culturas (SPPC) do Ministério da Cultura + cópias do blo oficial do Projeto bem como dos sites indicados no item V.I deste Relatório.



Belém, 27 de outubro de 2009

_____________________
FRANCISCO WEYL
Coordenador/Proponente
Projeto RESISTÊNCIA MARAJOARA

PRESTAÇÃO DE CONTAS

Após publicar o RELATÓRIO "FINAL" do RESISTÊNCIA MARAJOARA, julgo ser ético tornar pública a prestação de contas dos recursos recebidos da Funarte pelo mérito de ter conquistado este prêmio (o "interações artísticas - residências estéticas em pontos de cultura), motivo pelo qual seguem abaixo um conjunto de sete fotografias (dos documentos em word) com a relação das receitas e despesas relativas ao desennvolvimento deste Projeto.
Esta prestação de contas foi realizada graças ao apoio da Amanary Consultoria.

PRESTAÇÃO DE CONTAS (1)

PRESTAÇÃO DE CONTAS (2)

PRESTAÇÃO DE CONTAS (3)

PRESTAÇÃO DE CONTAS (4)

PRESTAÇÃO DE CONTAS (5)

PRESTAÇÃO DE CONTAS (6)

PRESTAÇÃO DE CONTAS (7)

sábado, 28 de novembro de 2009


Jornada cultural de caráter não competitivo, o FEST-FISC, o FEST-FISC acontece no âmbito da programação cultural do Fórum Internacional da Sociedade Civil, que reunirá aqui em Belém,
cerca de três mil pessoas, entre os dias 28 e 30 de novembro de 2009.
A maioria dos filmes selecionados é do gênero documental, mas há também ficção, vídeo-clipe, teatro visual e vídeo-teatro.
Na diversidade dos 29 filmes selecionados, o FEST FISC mostrará trabalhos da Bélgica, Guiné-Bissau, Moçambique, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Recife, Belém, Amapá, Goiás e outros, destaco aqui duas produções do Projeto Resistência Marajoara resultado do trabalho coletivo de jovens de Soure - Ilha
de Marajó, que são o documental Trilogia Marajoara, e o vídeo-teatro A cobra Grande.
Espero por todos no Centro de Convenções da UFPA nesta segunda-feira, dia 30, a mostra vai acontecer das 8:00 ás 13:00 horas.
MAIORES INFORMAÇÕES em http://socialcine.blogspot.com/

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Sou carpinteiro de poesia, mais não posso dizer...

Belém, 15 de setembro de 2009
Quando decidi investir minha obra neste projeto eu coloquei em jogo muito mais do que a minha produção artística. A minha forma de estar no mundo também foi lançada neste espaço quase imenso e sempre vazio que eu ocupo nesta coisa a qual denomino vida. Algo assim como um caminho sem volta. Uma baía - na qual eu apenas vou. Ou por sobre a qual eu vôo. Ou me deixo estar à deriva em suas correntezas-maresias. Nestes tempos de ventos fortes e águas altas, há uma sensação de que tudo é contracorrente, entretanto, eu tenho que seguir, pois que me coloquei neste barco não apenas como um timoneiro mas também como uma anônimo navegador. E assim aprendi os fluxos dos canais, nas suas próprias profundidades, do mesmo modo, descubro o quanto são rasos os bancos de areia, estes que nos fazem ficar horas a espera das águas mudarem nossas rotas num intervalo mais ou menos cronológico de seis horas. A subir e a descer. A favor ou contra, a depender da direção que tomamos, se em direção ao Camará ou ao porto de Belém.
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Tenho estado entre Soure e Belém desde o começo deste ano. E lá se foram nove meses, uma gestação, portanto. Só não contabilizo as horas que estive nesta baía porque eu sei que ainda estou com ela em mim. Este Projeto me proporcionou a abertura de uma possibilidade quase infinita, um encontro com as paisagens marajoaras, com o sentimento destas populações com as quais eu ainda estou a aprender.
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Carpinteiro de poesia
Sou carpinteiro de poesia, mais não posso dizer, meu destino está traçado pelas mãos do criador, eu escrevo mas não por obrigação e sim por uma necessidade universal.

MESTRE REGATÃO E AS CRIANÇAS DO PACOVAL
















CINECLUBE COM CARIMBÓ NO PACOVAL